sábado, 28 de agosto de 2010

Você sabe quem é Raul Sabóia?


Raul Sabóia é juiz do Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF) e diretor tesoureiro da OAB/DF e tem votado sistematicamente contra a lei da Ficha Limpa e a favor dos fichas sujas.

Conheça algns dos Fichas Sujas os quais o Juiz Raul Sabóia liberou com o seu voto:

Joaquim Roriz – Renunciou ao cargo de senador, em 2007, para evitar uma cassação certa por falta de decoro parlamentar no caso da bezerra de ouro.

Maria Abadia – Condenada em 2006 pelo TRE-DF por compra de votos e abuso de poder político. Ela teria usado a máquina administrativa do DF para realizar uma reunião eleitoral. A punição foi uma multa de R$ 2 mil.

Benício Tavares – Condenado em 2008 por apropriação indébita de recursos da Associação dos Deficientes Físicos de Brasília (ADFB). Além disso, Benício não teria pagado uma multa de R$ 5,3 mil por propaganda eleitoral fora do período permitido.

Intrigantemente votou pela cassação do ex-governador Arruda por infidelidade partidária, que foi bastante questionada, pois o ex-governador Arruda deixou o partido após o mesmo já haver afirmado publicamente que o expulsaria. Corrupção a parte o senhor juiz estava votando a infidelidade partidária do ex-governador e não o ato de corrupção que finalmente o incriminou...

É importante afirmar que por coincidência ou não o ex-governador Arruda é um desafeto político dos três políticos fichas sujas liberados por ele.

O interessante é que mesmo que o presidente da OAB Nacional tenha se pronunciado favorável a Imediata aplicação da lei da Ficha Limpa o Juiz Raul Sabóia que é diretor-tesoureiro da OAB-DF entende diferente. Leia abaixo na integra o que encontramos no website da OAB Mato Grosso

Para OAB Nacional Ficha Limpa atinge qualquer político punido por colegiado

O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ophir Cavalcante, afirmou que a Lei Complementar 135/10, conhecida como Lei Ficha Limpa, tem eficácia imediata e se aplica a todos os processos, como os já iniciados e com condenação transitada em julgado, quanto àqueles que estão em curso e que ainda podem redundar em condenações. Ophir lembrou que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aclarou as dúvidas quanto à validade da lei ao responder consulta, na última semana, garantindo a sua aplicação para o próximo pleito.
Segundo Ophir, a leitura gramatical conferida ao texto, não pode ser prestigiada pois tende ao absurdo, na medida em que seria "non-sense" pretender moralizar a política mantendo os corruptos com a possibilidade de se candidatar. "Ao lado disso, o artigo 3º da Lei é claro ao dizer que, nos processos que estão em curso, o réu poderá requerer a suspensão da condenação. Ou seja, se ela só se aplicasse às situações futuras não teria sentido algum a norma em destaque", explicou o presidente da OAB.
"Chega de resistência à lei. Os corruptos precisam saber que não podem mais do que a sociedade. Os partidos políticos também devem aproveitar o momento e estabelecer critérios mais rigorosos na escolha de seus candidatos", afirmou Ophir ao ministrar palestra na abertura da reunião ordinária do Confea. Para Ophir, essa nova lei representa "uma vitória no combate à corrupção no mundo político". http://www.oabms.org.br/noticias/lernoticia.php?noti_id=7528

O que faz o Juiz e diretor-tesoureiro da OAB-DF pensar diferente de toda uma sociedade e da posição oficial da OAB Nacional? Será que existe algum tipo de incentivo semelhante ao que já derrubou outros juízes no DF?

Bem, apenas o Juiz Raul Sabóia poderá um dia nos informar...

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Roriz - Até onde chegaremos nós?! (YouTube)

Vejam no YouTube


http://www.youtube.com/watch?v=1JEsC1G_CrE
http://www.youtube.com/watch?v=VB69Jutfpms&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=ajHeJ2XSJ-k&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=RpJzqjpg1HI&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=Wv0kjzbYFdw&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=H6lUNGOmFNw&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=WCQFXgaOME4&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=OTk08Q-8TfQ&feature=related




Manifesto ao TSE

Por favor, impugnem a candidatura do Sr. Joaquim Roriz. Não deixem que todos aqueles que assinaram o projeto que veio a se tornar lei - A Lei da Ficha Limpa, sejam frustrados e se tornem descrentes da nossa justiça. Por favor, usem o bom senso e não permitam que tal senhor que desdenha da justiça saia dessa como vitorioso. Sabemos que a lei da Ficha Limpa não é uma lei penal e, portanto não deverá ser tratada como se fosse. Candidatar-se a cargo público é um privilégio daqueles que se apresentam capazes para nos governar e nos proteger. 

domingo, 8 de agosto de 2010

Roriz usou dinheiro para subornar juízes do TRE, diz Veja


Faz um tempão que queria colocar esse artigo no meu blog, mas havia me esquecido de fazê-lo, mas agora ai está para evitar que um dia ele desapareça, já que tudo com relação ao Roriz é possível.

Roriz usou dinheiro para subornar juízes do TRE, diz Veja

01/07/2007 - 02h44min
Parte dos R$ 2,2 milhões dados pelo empresário Nenê Constantino, o dono da Gol, ao senador Joaquim Roriz (PMDB-DF) teria sido usado para subornar juízes do Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal. Segundo reportagem, assinada pelo repórter Diego Escosteguy e publicada pela revista Veja que chegou às bancas neste sábado (30/6),"se parte do dinheiro foi mesmo usada para pagaruma bezerra, outra parte teve destino explosivo - serviu para subornar juízes do Tribunal Regional Eleitoral que livraram Roriz de cassação em 2006".

Joaquim Roriz é acusado de ter recebido e partilhado de forma irregular R$ 2,2 milhões. Em discurso na tribuna do Senado, na quinta-feira, o senador explicou que o dinheiro teria lhe sido repassado pelo empresário Nenê Constantino, dono da empresa aérea Gol, como um empréstimo. Do total, R$ 300 mil teriam sido usados na compra de uma bezerra e o restante devolvido ao empresário.

Segundo a reportagem de Veja, os R$ 300 mil podem ter sido usados efetivamente na compra da bezerra, mas do que sobrou do "empréstimo", R$ 1,2 milhão foram usados para subornar dois juízes do TRE-DF que em outubro do ano passado julgou pedido do Ministério Público para cassação do registro da candidatura ao senado de Roriz por uso da máquina pública do Distrito Federal em sua campanha. Na época, Roriz havia deixado o cargo de governador do DF para disputar a eleição para o senado.

Segundo a reportagem, o julgamento do caso foi suspenso por um pedido de vista, com o placar de 3 a 2 contra o senador. Ao ser retomada a votação, a votação foi empatada pelo voto-vista e um outro juiz mudou suadecisão em favor de Roriz. O placar passou então para 4 a 3 a favor do então candidato.

Leia a reportagem de Veja

O dinheiro era para subornar

Joaquim Roriz usou dinheiro de Nenê

Constantino para pagar propina a juízes

Diego Escosteguy
O senador Joaquim Roriz, flagrado em uma conversa telefônica combinando a partilha de 2,2 milhões de reais, finalmente subiu à tribuna para explicar-se na semana passada. Com um discurso pronunciado à semelhança de Odorico Paraguaçu, o inesquecível personagem de folhetim que encarnava o aspecto folclórico da política, Joaquim Roriz repetiu o que dissera antes ? só que, da tribuna, adicionou algumas lágrimas e muita retórica.

 "Quem em sua vida nunca pediu um empréstimo a um amigo?", disse. "Será que um senador não poderia pedir um empréstimo a um amigo de longa data?", repetiu. "Imaginem se pedir dinheiro emprestado é falta de decoro. Meu Deus! A que ponto chegamos?" No discurso, Roriz disse que pediu 300.000 reais ao seu amigo e empresário Nenê Constantino, dono da Gol Linhas Aéreas, para pagar uma bezerra.

Constantino entregou um cheque de 2,2 milhões, Roriz sacou o dinheiro, reteve 300.000 reais e devolveu o restante, 1,9 milhão, ao empresário. A novidade é que, se parte do dinheiro foi mesmo usada para pagar uma bezerra, outra parte teve destino explosivo ? serviu para subornar juízes do Tribunal Regional Eleitoral que livraram Roriz de cassação em 2006.

Na semana passada, VEJA conversou com um político que priva da intimidade do senador e que ouviu a confissão do pagamento da propina do próprio senador ? e não de terceiros. Ele conta que, no começo de fevereiro passado, Joaquim Roriz recebeu seu suplente, o ex-deputado distrital Gim Argello, em sua casa. Conversaram sobre os boatos de que a decisão pró-Roriz do TRE teria sido comprada. A certa altura, travou-se o seguinte diálogo:

Argello ? O Agnelo (refere-se a Agnelo Queiroz, ex-ministro e candidato derrotado ao Senado) me disse que a decisão foi comprada. É isso mesmo?

Roriz ? É isso mesmo. Achei que o processo não ia dar em nada, mas tivemos de resolver. Tivemos de comprar dois.

Conforme o relato do político que detalhou o assunto a VEJA sob a condição de manter-se anônimo, "comprar dois" significa subornar dois juízes do TRE. Na mesma conversa, Roriz lembrou ao interlocutor que o mandato de senador também lhe pertencia. "O mandato também é seu, você precisa me ajudar", apelou. "Tem de levantar 1,2 milhão", detalhou. Roriz não explicou se 1,2 milhão de reais era o valor total da propina dos dois juízes ou se era a parte que faltava pagar. A solução não demorou a surgir.

No dia 13 de março, conforme aparece no diálogo telefônico capturado pela polícia, Roriz descontou o cheque de 2,2 milhões de Nenê Constantino e, sabe-se agora, repassou pelo menos 1,2 milhão aos juízes subornados. Isso explica por que, na conversa grampeada, Roriz se recusa a receber o dinheiro em sua própria casa, num carro-forte, e explica que a partilha dos recursos envolve outras pessoas. "O dinheiro é de muita gente", diz ele.

O caso que livrou Roriz da cassação foi julgado em 23 de outubro, mas começou no dia 19 de setembro, quando o Ministério Público o acusou de uso político da máquina pública do governo do Distrito Federal. Na época, Roriz deixara o cargo de governador para concorrer ao Senado, e a estatal de abastecimento de água, a Caesb, mudara em propagandas seu número de atendimento telefônico de 115 para 151 ? número de Roriz nas urnas. O placar do julgamento no TRE estava em 3 a 2 contra Roriz. Um juiz pediu vistas e, dias depois, quando a sessão foi retomada, votou a favor de Roriz, cravando um empate em 3 a 3.

Antes que o presidente do tribunal desse seu voto de Minerva, um dos juízes que votaram contra Roriz subitamente mudou de idéia. Com isso, Roriz livrou-se da cassação por 4 a 2. A virada no placar teria custado pelo menos 1,2 milhão de reais. Procurado por VEJA, o suplente Gim Argello confirmou o encontro com Roriz, mas disse que não faria comentários a respeito de pagamento de propina.

Na versão oficial de Roriz, a sobra de 1,9 milhão não virou propina para ninguém. Foi devolvida ao empresário Nenê Constantino. VEJA perguntou ao empresário o que ele fez com o 1,9 milhão de reais, mas o empresário não respondeu. Roriz, por sua vez, alega que os 300 000 reais foram usados para pagar uma bezerra, de 271 000 reais, e a sobra de 29 000 reais foi emprestada a Benjamin Roriz, seu primo, que estava com problemas de saúde na família.

O problema de Roriz é que a nota fiscal que supostamente comprova o pagamento de 271.000 pela bezerra está crivada de mistérios. A nota foi emitida no dia 1º de março, o bicho foi entregue no dia 3 e o pagamento foi feito apenas no dia 14. Por que alguém entrega a mercadoria e a nota antes de receber o dinheiro? Além disso, a nota informa a venda de "04" animais, mas na versão de Roriz foi apenas uma bezerra.

Mais: na nota consta o pagamento de 532.000 reais, mas Roriz diz que obteve um desconto de 50%. O vendedor confirma. "Ele chorou muito e eu dei o desconto de 50%", diz o pecuarista Márcio Serva. Mas fica a pergunta: por que o vendedor faz uma nota com um valor superior ao real? Para pagar mais imposto? Márcio Serva não soube explicar. Por fim, a nota fiscal distribuída à imprensa vem com um cabeçalho de fax em que se lê a data de 30 de maio de 2005.

Com base nessas informações, deduz-se que nessa data a nota foi enviada da empresa de Roriz para algum outro lugar ? o que sugere que a nota, apresentada como sendo de agora, é muito mais antiga. Isso é fraude. Os assessores de Roriz dizem que o fax estava com defeito e informava data e hora incorretas. Apesar do acúmulo de inconsistências a respeito da nota fiscal, ainda assim não há evidência concreta de que o negócio de 271.000 reais não tenha sido feito. O que parece certo é que a parte do leão do dinheiro, o 1,9 milhão de reais restantes, não foi para as mãos do empresário Nenê Constantino, mas acabou azeitando o propinoduto de Roriz. Haverá mais lágrimas e mais retórica.

Vamos Fazer Um Mundo Melhor...: Roriz Nunca Mais

Vamos Fazer Um Mundo Melhor...: Roriz Nunca Mais

Roriz Nunca Mais


Temos que entender a Lei da Ficha Limpa como uma regra que determina quem está ou não habilitado a se candidatar a um cargo político, não como uma lei que tira direitos de um cidadão qualquer a se candidatar a um cargo político. Assim como muitos cargos públicos o candidato tem que estar habilitado para tal, porque o para governador e outros cargos eletivos deveria ser diferente?
Todos aqueles que, mesmo Rorizistas, queiram tomar conhecimento porque os não Rorizistas não conseguiriam viver mais um mandato do “Senhor Bezerra de Ouro” leiam o blog “Roriz Nunca Mais”. Tal blog procura congregar informações valiosas sobre esse que postula um cargo junto ao GDF (http://roriznuncamais.blogspot.com/). Independentes da preferência cromática (vermelhos, azuis ou outra cor qualquer), todos deveriam conhecer a verdade e deixando o calor da discussão emocional, escolher o melhor candidato para o nosso Distrito Federal. Tenho certeza que um estudo sério e honesto não nos deixaria jamais votar em um homem como o Roriz para administrar o nosso futuro e o futuro dos nossos filhos e netos. Baseado nisso eu digo, parafraseando a autora do blog, “Roriz nunca mais”!
Por Jean Langelier comentando o artigo “Roriz recorre no TER” postado no Blog da Paola em 06/08/2010 às 22:05h

Corrupção: O ficha-suja Roriz estrela um vídeo-bomba

Corrupção: O ficha-suja Roriz estrela um vídeo-bomba

Roriz, candidato barrado (por enquanto) ao governo do Distrito Federal, aparece em vídeo entregando dinheiro - "uma propinazinha" - para um laranja confesso ficar calado
Diego Escosteguy
A cena é espantosa. Joaquim Domingos Roriz, o fazendeiro que fez fortuna às custas dos cofres públicos de Brasília nos últimos 20 anos, cumprimenta o interlocutor, recosta-se na poltrona e arrasta com as mãos uma caixa que estava embaixo da mesa de centro. “Quanto?”, pergunta de chofre o homem que governou por quatro vezes o Distrito Federal, mandatos nos quais distribuiu terras e contratos, colhendo em troca votos e dinheiro. “Foi dez, né?”, responde André Alves Barbosa, o interlocutor, que filmou o encontro na casa de Roriz, no começo deste ano, e cuja família é laranja do ex-governador em imóveis e operações bancárias.
Dez, no caso, corresponde a dez mil reais. “Isso tudo?!”, surpreende-se Roriz. O ex-governador retira maços de dinheiro da caixa. E repassa ao laranja. Um, dois, três, quatro... Enquanto conta a dinheirama, Barbosa cobra o pagamento de um empréstimo rural contraído por sua família, cujo beneficiário era, óbvio, Roriz: “Governador, como faz o negócio da fazenda? Vai resolver lá no Banco Real?”. Surgem mais pacotinhos de dinheiro. Diz Roriz: “Depois das eleições (...) vou no banco”. O laranja interrompe: “Vai e ajeita?”. Roriz completa: “Claro! (...) Se preocupar agora é pior”. E aparecem mais pacotinhos. “Seis, né?”, confere o ex-governador. “Falta (sic) mais cinco”, esclarece Barbosa. Dá-lhe pacotinhos em cima da mesa – e o laranja exulta: “Obrigado, governador!”.
Qual a razão para o pagamento? “É propinazinha para nois (sic) ficar quietinho”, explica o laranja André, também em conversa gravada, que deveria ficar quietinho precisamente sobre o fato de ser... laranja. André tentou vender essa e outras gravações ao deputado Alberto Fraga, do Democratas de Brasília, que assistiu à fita, assim como outras duas fontes localizadas pela reportagem. Ninguém admite ter comprado o material.
Esse lúgubre espetáculo cinematográfico, ao qual VEJA teve acesso, é o mais recente dos numerosos – talvez incontáveis – episódios de corrupção nos quais a estrela chama-se Joaquim Roriz. O ex-governador já foi acusado de receber propina, desviar recursos públicos, comprar votos, sonegar impostos, lavar dinheiro, esconder patrimônio, grilar terras; é uma lista de crimes tão extensa quanto seus 20 anos à frente da política brasiliense. Ostentar esse currículo, porém, nunca constituiu um obstáculo eleitoral para Roriz, que jamais perdeu um pleito.
Em 2006, elegeu-se senador, mas se viu forçado a renunciar ao cargo poucos meses depois, assim que surgiram gravações (sempre elas) nas quais ele discute a partilha de milhões de reais. Agora, ele tenta governar Brasília pela quinta vez, e lidera com tranquilidade as pesquisas de intenções de voto. Na semana passada, contudo, ele se transformou na mais vistosa vítima da lei Ficha Limpa, que impede gatunos condenados de concorrer nas eleições – ou de retornar à política depois de renunciar ao cargo para escapar à cassação, como é o caso de Roriz. Por quatro votos a dois, o Tribunal Regional Eleitoral de Brasília impugnou a candidatura dele.
Outros 100 candidatos no Brasil foram enquadrados pelo Ficha Limpa. Mas a impugnação de Roriz se revela emblemática. É o único barrado que concorre ao governo e lidera as pesquisas. Há outros políticos tão notoriamente corruptos quanto ele, como Jader Barbalho e Paulo Maluf, que também podem ser expulsos das eleições. Roriz, no entanto, é o único dessa vil estirpe que ainda demonstra força política para se eleger ao governo – Maluf, por exemplo, pode até receber uma avenida de votos para uma vaguinha na Câmara dos Deputados, mas não há obra superfaturada que o carregue novamente ao Palácio dos Bandeirantes.
De modo que Roriz simboliza à perfeição o tipo de político do qual o Ficha Limpa tentou livrar o país. Tanto o ex-governador quanto os demais barrados, contudo, ainda podem acabar aparecendo nas urnas. A razão disso é que ainda pairam incertezas acerca da legalidade do Ficha Limpa. O Tribunal Superior Eleitoral já se manifestou a favor da lei, inclusive para aplicá-la nestas eleições, mas o assunto certamente recairá sobre os ombros dos ministros do Supremo Tribunal Federal. Há a possibilidade de que eles só discutam o caso após as eleições. Se isso acontecer, candidatos como Roriz provavelmente concorrerão por meio de liminares na Justiça – e, se ganharem a eleição, só perderão o cargo se o STF confirmar e legalidade do Ficha Limpa.
Se o Supremo derrubar a lei, gatunagens como a do vídeos descrito no começo desta reportagem continuarão a prosperar. Na gravação com Roriz, a dívida a que se refere André foi contraída em 1995 por seu avô, Geraldo Alves Barbosa. Somava 210 mil reais e se destinava à criação de gado. O avô-laranja era dono, ao menos no papel, da Agropecuária Estiva. Ele deu como garantia ao banco os 12,5 mil alqueires da Fazenda Queimados, que fica em Goiás. De acordo com André, o laranjinha, tanto a agropecuária quanto a fazenda sempre foram de Roriz.
Localizado pela reportagem, Luiz Antônio Barbosa, um dos filhos do avô-laranja, que consta como sócio da agropecuária e como antigo dono da fazenda, disse nunca ter tido qualquer empresa ou imóvel rural. “Nunca tive fazenda, moço. Mas o meu pai já teve coisas com o Roriz”, ele explica. Questionado se era laranja do ex-governador, Luiz Antônio afirmou: “Não posso falar”. O Banco Real executa judicialmente a dívida e pede há anos a penhora da fazenda. Em 2000, contudo, a fazenda mudou de dono – quer dizer, no cartório. A família-laranja ficou com a dívida, mas repassou a propriedade das terras para Osvaldino Xavier, amigo de Roriz e dono da Nely Transportes, empresa que coletava lixo em Brasília. “Ele também é laranja”, diz André.
A reportagem foi até a fazenda, para olhar de perto o laranjal. Na entrada do local, uma placa informa que o empresário-amigo Osvaldino é o dono. Mas um funcionário logo avisa: “A fazenda é do Juliano”. E quem é Juliano? Trata-se de Juliano Roriz, neto do ex-governador. VEJA o encontrou à porta da fazenda. Travou-se o seguinte diálogo:
- Esta fazenda é do seu avô?
- Não, é minha.
- E por que o nome do proprietário na placa é Osvaldino?
- Ah... Não sei.
- Ele é o dono da fazenda ou é você?
- Sou eu.
- Há quanto tempo você tem a propriedade?
- Não sei.
Procurado, Osvaldino garantiu ter efetivamente comprado parte das terras da família-laranja, mas disse ter vendido 20% delas para a Agropecuária Palma, que pertence a Roriz. O ex-governador não quis se pronunciar.