Defesa não convence Antônio de Castro / Luís Ródnei / José Carlos
O ex-governador Joaquim Roriz mora em uma mansão, com heliponto, no Park Way. O senador do PMDB informou à Justiça Eleitoral, ano passado, o preço do imóvel: R$ 600 mil. Roriz também comunicou à Justiça que tinha, na época da eleição, 6.227 cabeças de gado, duas áreas rurais e 662 hectares em um loteamento na cidade de Niquelândia, em Goiás. Dono de um patrimônio declarado de R$ 4.489.278,95, o senador Roriz afirma que precisou de R$ 271 mil emprestados para comprar uma bezerra.
Joaquim Roriz foi flagrado pela polícia providenciando o pagamento de cheque do Banco do Brasil no BRB, para ficar com parte do dinheiro: R$ 300 mil. Confira trechos da gravação:
Tarcísio: Oi senador!Roriz: Oi.Tarcísio: Posso sugerir um negócio?Roriz: Pode.Tarcísio: Por que a gente não leva para o escritório do Nenê? Roriz: É prá isso mesmo.Tarcísio: E de lá sai cada um com o seu.Roriz: Era pra ser isso mesmo, mesmo porque lá não tem dúvida nenhuma.Tarcísio: Exatamente.
Para o líder do PT, deputado Chico Leite, uma história ainda mal explicada. “Parece-me muito coincidente que se precise desse valor, em tão curto espaço de tempo, tendo todo esse patrimônio”, enfatiza Leite.
O senador divulgou cópias de documentos do suposto empréstimo e da suposta compra da bezerra. Mas os papéis não convenceram e as dúvidas ainda são muitas. E Joaquim Roriz se nega a dar novas explicações. Ele não apareceu nesta quarta-feira, dia 27, no Senado Federal, onde deveria presidir uma sessão da Comissão de Agricultura.
A filha do senador, a deputada distrital Jaqueline Roriz, passou a tarde desta quarta-feira (27) mostrando aos deputados distritais que tem provas de todo o negócio. Segundo ela, tudo foi feito sem um centavo de dinheiro público. A deputada alega que o pai não tinha dinheiro disponível no dia em que precisava pagar a bezerra.
“Se você perguntar a qualquer empresário na cidade se ele tem esse dinheiro em conta, a resposta será negativa. Ter posses tem, talvez não tenha a liquidez que se necessita naquele momento. Então, realmente ele recorreu a isso: em vez de se desfazer de alguma posse, pediu emprestado a um amigo”, afirma Jaqueline Roriz.
A bezerra foi comprada em novembro de 2006. Mas o pagamento dos R$ 271.320 só foi realizado em março deste ano. O procurador geral da República, Antônio Fernando de Souza, disse hoje que está analisando o caso. “Há elementos para que se debruce o Ministério Público sobre o tema e, eventualmente, adote as providências que tenham que ser tomadas”, explica o procurador.
“É quebra de decoro, claro. O parlamentar tem que ter uma ética, uma disciplina moral que não permita que ele traia a população que confiou nele”, enfatiza o corregedor do Senado Federal, Romeu Tuma.
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